Diabetes Mellitus no Idoso: Metas de Glicemia Ajustadas e Prevenção de Hipoglicemia
O Diabetes Mellitus Tipo 2 é uma das doenças crônicas mais prevalentes na terceira idade. Embora o controle rigoroso da glicemia seja essencial em pacientes jovens, o manejo do Diabetes em idosos exige uma abordagem diferenciada e altamente personalizada, que é o foco da Geriatria. Em idosos, a prioridade se inverte: o principal risco de uma terapia muito agressiva não são as complicações a longo prazo (que podem não ser vistas devido à expectativa de vida), mas sim a Hipoglicemia (queda perigosa da glicemia). A Hipoglicemia no idoso pode causar quedas, Delirium, confusão mental, acidentes e até mesmo AVC, sendo uma ameaça imediata à autonomia. O Dr. Fernando Mattar busca o equilíbrio entre o controle glicêmico e a segurança do paciente.
Metas Glicêmicas na Terceira Idade: Menos Rigor, Mais Segurança
A abordagem tradicional do Diabetes busca manter a Hemoglobina Glicada (HbA1c) abaixo de 7%. Em idosos, essa meta é frequentemente relaxada. O geriatra define metas mais individualizadas, que podem variar entre HbA1c de 7,5% a 8,5%, dependendo do estado de saúde geral do paciente. Essa flexibilidade é crucial e se baseia em:
- Risco de Hipoglicemia: Idosos são mais vulneráveis a quedas e Delirium causados pela hipoglicemia, e esta condição pode ser fatal.
- Expectativa de Vida: O idoso frágil com múltiplas comorbidades não se beneficia de um controle glicêmico ultra-rigoroso, pois os benefícios de evitar complicações microvasculares (nefropatia, retinopatia) demoram anos para aparecer.
- Polifarmácia: Muitos medicamentos antidiabéticos (principalmente algumas insulinas e sulfonilureias) aumentam o risco de hipoglicemia.
O objetivo é evitar os extremos: hiperglicemia severa (acima de 300 mg/dL, que pode causar desidratação e confusão) e, principalmente, a hipoglicemia.
O Rastreio e Manejo das Complicações Micro e Macrovasculares
Embora a meta de glicemia seja menos rígida, o geriatra precisa monitorar ativamente as complicações crônicas do Diabetes, que continuam a ser uma ameaça à capacidade funcional:
- Neuropatia Diabética: Causa dor, formigamento e perda de sensibilidade nos pés (risco de úlceras e amputações). O geriatra realiza o rastreio anual dos pés e o manejo da dor neuropática.
- Doença Cardiovascular (Macrovascular): O diabetes acelera a aterosclerose, aumentando o risco de Infarto e AVC. O controle da pressão arterial e do colesterol, juntamente com a glicemia, é fundamental.
- Nefropatia e Retinopatia: Exames regulares (função renal e exame oftalmológico) são necessários para detectar danos nos rins e olhos precocemente.
O tratamento geriátrico não se limita a prescrever insulina; ele coordena o cuidado com oftalmologista, nefrologista e podólogo, garantindo a prevenção de incapacidade.
Ajuste da Terapia Medicamentosa e Otimização Nutricional
A escolha dos medicamentos antidiabéticos no idoso é uma arte. O Dr. Fernando Mattar prioriza drogas com menor risco de hipoglicemia (como Metformina, iDPP-4, ou inibidores SGLT2, que também protegem o coração e o rim). Outros medicamentos, como as sulfonilureias, são utilizados com cautela. A nutrição é um pilar do tratamento:
- Consistência Alimentar: Garantir que o idoso coma em horários regulares para evitar picos e quedas de glicemia.
- Dieta Adequada: Foco em fibras e carboidratos complexos, evitando o excesso de açúcares simples.
- Hidratação: A hiperglicemia aumenta o risco de desidratação, que pode levar à hospitalização.
Diabetes e Demência: A Ligação Cognitiva
O Diabetes mal controlado é um fator de risco independente para o declínio cognitivo e a Demência Vascular. O geriatra atua para otimizar o controle glicêmico e vascular, protegendo o cérebro. Além disso, a hipoglicemia severa pode causar dano cerebral. O manejo geriátrico visa proteger a função cognitiva e a capacidade de realizar as atividades de vida diária (AVDs), garantindo que o idoso mantenha sua autonomia apesar da doença crônica.
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