Osteoartrite e Artrose no Idoso: Manejo da Dor e Preservação da Mobilidade Funcional
A Osteoartrite (OA), popularmente conhecida como artrose, é a forma mais comum de artrite e a principal causa de dor crônica e limitação funcional na população idosa. Caracteriza-se pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste as extremidades dos ossos, levando à inflamação, dor, rigidez articular e, consequentemente, à restrição de movimento. Essa dor e a dificuldade de mobilização afetam diretamente a capacidade do idoso de realizar as atividades de vida diária (AVDs) e aumentam o risco de quedas e imobilidade. O Dr. Fernando Mattar, através de uma abordagem geriátrica e não apenas ortopédica, foca em um tratamento integral que visa, acima de tudo, o alívio da dor para que o paciente mantenha sua capacidade funcional e autonomia.
A Osteoartrite como Doença Sistêmica e Geriátrica
Embora a OA se manifeste nas articulações (joelhos, quadris, mãos, coluna), ela não é apenas um “problema de desgaste”. Fatores sistêmicos, como a inflamação crônica, a obesidade (que sobrecarrega as articulações) e a fraqueza muscular (Sarcopenia), aceleram a progressão da doença. O impacto da OA é classificado como geriátrico por causar:
- Instabilidade Postural: A dor e a rigidez do joelho e quadril comprometem o equilíbrio e aumentam o risco de quedas.
- Imobilidade: A dor leva à restrição de movimento, que, por sua vez, acelera a sarcopenia, criando um ciclo vicioso de fraqueza e piora da dor.
- Depressão e Ansiedade: A dor crônica e a perda de autonomia levam a transtornos de humor.
A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) é essencial para avaliar o impacto da OA na função global do paciente e não apenas no raio-x da articulação.
O Manejo da Dor: Priorizando o Tratamento Não Farmacológico
O tratamento da Osteoartrite começa com o manejo da dor, mas o geriatra evita o uso indiscriminado de Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs), que podem causar efeitos colaterais graves em idosos (lesão renal, sangramento gastrointestinal, aumento da pressão arterial). O Dr. Fernando Mattar prioriza:
- Controle de Peso: A perda de peso é, talvez, a intervenção mais eficaz para reduzir a carga sobre as articulações (o joelho suporta o equivalente a 3 a 5 vezes o peso corporal ao subir escadas).
- Fortalecimento Muscular: Fisioterapia e exercício de baixo impacto (hidroginástica, natação) são cruciais. O músculo forte protege a articulação desgastada.
- Termoterapia e Técnicas Locais: Uso de calor/frio e pomadas com anti-inflamatórios locais.
- Medicação Oral Segura: Uso de Paracetamol e, quando necessário, opioides fracos (como Tramadol) ou outros medicamentos para dor neuropática (se houver compressão nervosa), sempre com monitoramento rigoroso.
O uso de suplementos (como Glicosamina e Condroitina) tem eficácia limitada, e a sua indicação é individualizada e discutida com o paciente.
Fisioterapia e Terapia Ocupacional: Foco na Função
A fisioterapia na OA não é apenas para aliviar a dor, mas para manter a Amplitude de Movimento e a Função. O terapeuta trabalha para melhorar a marcha, o equilíbrio e a capacidade de realizar AVDs, como agachar, sentar e levantar. A Terapia Ocupacional oferece adaptações (cadeiras mais altas, barras de apoio) para reduzir o estresse sobre as articulações durante as atividades cotidianas, permitindo que o idoso mantenha a independência apesar da doença articular.
O Papel das Infiltrações e Cirurgias Ortopédicas
Em casos de dor refratária, o geriatra pode coordenar com o ortopedista o uso de infiltrações intra-articulares (com corticoides ou ácido hialurônico) para alívio localizado. Quando o dano articular é severo e a dor incapacitante, a Artroplastia (prótese) de joelho ou quadril pode ser a melhor opção para restaurar a qualidade de vida. O Dr. Fernando Mattar, com seu olhar clínico, avalia o risco cirúrgico do idoso (comorbidades, fragilidade) e o benefício funcional esperado, garantindo que o paciente seja um bom candidato à cirurgia e que a reabilitação pós-operatória seja intensiva e bem-sucedida.
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