Imobilidade Geriátrica: O Risco Silencioso e o Manejo Preventivo de Lesões por Pressão
A Imobilidade Geriátrica, definida como a restrição ou limitação na capacidade de se mover, é uma das Síndromes Geriátricas que mais contribui para a dependência, a perda de autonomia e o aumento da morbidade em idosos. Frequentemente resultado de uma cascata de eventos (como uma queda, uma fratura, ou a imobilização pós-AVC), a permanência prolongada no leito ou em uma cadeira é um risco de vida, acelerando a perda muscular (sarcopenia) e levando a uma complicação grave: a Lesão por Pressão (LP), popularmente conhecida como escara. O Dr. Fernando Mattar atua para reverter o ciclo da imobilidade, focando na reabilitação e no manejo preventivo rigoroso da pele, que é o grande indicador de qualidade do cuidado.
O Ciclo Vicioso da Imobilidade: Perda de Função em Cascata
A imobilidade não afeta apenas os músculos. Ela desencadeia um efeito cascata em todos os sistemas orgânicos do idoso, enfraquecendo o corpo rapidamente:
- Sistema Muscular: A falta de uso acelera a Sarcopenia e a fraqueza (atrofia de desuso), tornando o retorno à marcha ainda mais difícil.
- Sistema Cardiovascular: Aumenta o risco de Trombose Venosa Profunda (TVP) e embolia pulmonar.
- Sistema Respiratório: Prejudica a expansão pulmonar, aumentando o risco de pneumonia (pneumonia aspirativa e hipostática).
- Pele e Tecido Subcutâneo: A pressão contínua sobre proeminências ósseas leva à isquemia e, posteriormente, à Lesão por Pressão.
O objetivo do geriatra, ao identificar a causa da imobilidade (que pode ser uma doença aguda, dor ou simplesmente depressão), é intervir rapidamente para restaurar a mobilidade o mais rápido possível, muitas vezes em parceria com a fisioterapia.
Lesão por Pressão (LP): Onde e Como Elas se Formam?
A Lesão por Pressão é uma injúria localizada na pele e/ou tecido subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea (sacro, calcanhares, quadris, cotovelos, nuca), causada pela pressão prolongada e cisalhamento (fricção). A pressão interrompe o fluxo sanguíneo local, levando à morte celular (necrose). A LP é classificada em estágios (do Estágio 1, que é apenas uma vermelhidão, ao Estágio 4, que envolve perda total de tecido e exposição óssea). A prevenção é baseada em três pilares, monitorados de perto pelo geriatra:
- Alívio de Pressão (Mudança de Decúbito): Mudar o paciente de posição a cada 2 horas é a regra de ouro.
- Cuidados com a Pele: Manter a pele limpa e seca, usando cremes de barreira e hidratantes.
- Nutrição Otimizada: Garantir a ingestão adequada de proteína, zinco e vitamina C, essenciais para a integridade da pele e a cicatrização.
Reabilitação da Imobilidade: O Papel da Fisioterapia e Terapia Ocupacional
A reabilitação é crucial para quebrar o ciclo da imobilidade. O plano de reabilitação, coordenado pelo Dr. Fernando Mattar, é integrado e busca metas funcionais específicas:
- Fisioterapia: Focada em exercícios de mobilização no leito, treino de transferências (mudar da cama para a cadeira) e reeducação da marcha.
- Terapia Ocupacional: Visa a retomada das Atividades de Vida Diária (AVDs), como vestir-se, alimentar-se e higiene pessoal.
- Mobilização Passiva e Ativa: Mesmo que o idoso não consiga se mover sozinho, o cuidador deve auxiliá-lo a movimentar as articulações para evitar rigidez e contraturas.
Manejo Avançado de Lesões por Pressão Estabelecidas
Quando a LP já está presente, o tratamento exige um manejo de feridas avançado. O geriatra coordena a equipe de enfermagem e estomaterapia para a limpeza da ferida, o desbridamento (remoção de tecido morto) e a escolha dos curativos ideicais (que podem incluir curativos a vácuo em casos graves). O Dr. Fernando Mattar enfatiza que a cicatrização de uma LP é impossível sem a resolução da pressão na área e o suporte nutricional de alta qualidade, garantindo que o cuidado seja holístico e não apenas focado na ferida em si. A prevenção e o tratamento da LP são indicadores diretos da qualidade do cuidado ao idoso frágil.
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